terça-feira, 14 de julho de 2020

CASTRO ALVES

CASTRO ALVES

Castro Alves foi poeta brasileiro, conhecido como “o poeta dos escravos”. Pertenceu à terceira geração do Romantismo no país.

Suas obras expressavam indignação e protesto em relação aos problemas sociais da época, principalmente à crueldade da escravidão.

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 na cidade de Muritiba, na Bahia. Em 1853 sua família mudou-se para Salvador, onde seu pai foi professor da Faculdade de Medicina e sua mãe veio a falecer quando ele completou 12 anos.

Nessa época Castro Alves já demonstrava indícios de sua vocação para a poesia, estudava no Colégio de Abílio César Borges e lá manteve amizade com Ruy Barbosa. Em janeiro de 1862 seu pai casou-se novamente e levou a família para o Recife, onde existiam muitos ideais abolicionistas e lideranças na época.

Castro Alves envolveu-se com esses núcleos, participando de sociedades estudantis e discursos. O poeta era sempre ovacionado pelas multidões, impressionando com seu poder de expressão e voz possante. Em seus textos, o uso acentuado de hipérboles e de espaços amplos como o mar, o céu e o infinito se faziam presentes.

Em 1863, já manifestando tuberculose, Castro Alves publicou seu primeiro poema. Os versos de “A canção do africano” expressavam opiniões contrárias à escravidão. No mesmo ano conheceu Eugênia Câmara. Dez anos mais velha, era atriz portuguesa e estava em cartaz na cidade, no Teatro Santa Isabel.

No ano seguinte, Castro Alves ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Em 1865, lá recitou “O Sábio” e também se alistou no Batalhão Acadêmico de Voluntários para a Guerra do Paraguai.

Seu pai faleceu em janeiro de 1866, ano em que o poeta iniciou relacionamento com Eugênia. O casal viajou em maio para Salvador, onde o poeta finalizou seu drama “Gonzaga ou a Revolução de Minas”, aclamado em sua estreia no Teatro São João.

Em janeiro de 1868 embarcou para o Rio de Janeiro e foi recebido por José de Alencar, seu amigo. Através dele manteve contato com Machado de Assis, que o projetou nos meios literários.

Em seguida, Castro Alves viajou para São Paulo, onde cursou Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Nesse período dedicou-se à criação de poemas líricos e heroicos, publicados por jornais ou recitados em festas literárias.

Os feitos do poeta causavam repercussão, e assim conquistou destaque literário aos 21 anos.

Em agosto de 1868 terminou seu relacionamento com Eugênia Câmara. Em sete de setembro fez apresentação de “Tragédia no mar”, que posteriormente ganharia o título de “O navio negreiro”.

No mês de novembro, durante caçada em São Paulo, um tiro de espingarda atingiu seu pé esquerdo causando enfermidades que resultaram em cirurgias e complicações. Foi necessário amputação e o procedimento foi feito sem anestesia. Decidiu voltar para Salvador, onde viu sua tuberculose se agravando. Viajou em fevereiro de 1870 para tratamento em Itaberaba. Em setembro retornou à Salvador e lançou “Espumas Flutuantes”, seu único livro editado em vida.

Castro Alves faleceu vítima da tuberculose dia 6 de julho de 1871, em Salvador, Bahia. Transmitiu ao romantismo um sentido social.

É o Patrono da cadeira número 7 da Academia Brasileira de Letras.


Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/escritores/castro-alves/
Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)


Características da Obra de Castro Alves

Castro Alves é a maior figura do Romantismo. Desenvolveu uma poesia sensível aos problemas sociais de seu tempo e defendeu as grandes causas da liberdade e da justiça.

Denunciou a crueldade da escravidão e clamou pela liberdade, dando ao romantismo um sentido social e revolucionário que o aproximava do Realismo. Sua poesia era como um grito explosivo a favor dos negros, sendo por isso denominado “O Poeta dos Escravos”.

Sua poesia é classificada como “Poesia Social”, que aborda o tema do inconformismo e da abolição da escravatura, através da inspiração épica e da linguagem ousada e dramática como nos poemas: Vozes d’África e Navios Negreiros, da obra Os Escravos (1883), que ficou inacabada.

      Navios Negreiros
Era um Sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
             Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
             Horrendos a dançar... (...)
E rir-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica, a serpente
             Faz doidas espirais...
Se o velho arqueja... se o chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.

            E voa mais e mais... (...)

Com “Poeta do Amor” ou “Poeta Lírico”, a mulher não aparece distante, sonhadora, intocada como em outros românticos, mas uma mulher real e sensual. Foi também o “Poeta da Natureza”, como se observa nos versos de “No Baile na Flor” e “Crepúsculo Sertanejo”, onde enaltece a noite e o Sol, como símbolos da esperança e liberdade.

Poesias de Castro Alves

  • A Canção do Africano;
  • A Cachoeira de Paulo Afonso;
  • A Cruz da Estrada;
  • Adormecida;
  • Amar e Ser Amado;
  • Amemos! Dama Negra;
  • As Duas Flores;
  • Espumas Flutuantes;
  • Hinos do Equador;
  • Minhas Saudades;
  • O "Adeus" de Teresa;
  • O Coração;
  • O Laço de Fita;
  • O Navio Negreiro;
  • Ode ao Dois de Julho;
  • Os Anjos da Meia Noite;
  • Vozes d'África.
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.

A 3ª GERAÇÃO ROMÂNTICA (VÍDEO AULA) 

MAIS SOBRE A 3ª GERAÇÃO ROMÂNTICA OU CONDOREIRA:


FICA A DICA ENEM SOBRE A POESIA SOCIAL OU CONDOREIRA E ANÁLISE DE UM TRECHO DO POEMA "O NAVIO NEGREIRO"


CASTRO ALVES, O POETA DOS ESCRAVOS
BIOGRAFIA






PDF DO POEMA "O NAVIO NEGREIRO" CLICA AQUI

Navio Negreiro no Apple Books

PAULO AUTRAN NARRA "O NAVIO NEGREIRO"
CENAS DO FILME AMISTAD






A CANÇÃO DO AFRICANO, DE CASTRO ALVES
POR CID MOREIRA


LAÇO DE FITA, DE CASTRO ALVES
POR JOSÉ MARCIO CASTRO ALVES


POEMAS AMOROSOS DE CASTRO ALVES SUSSURRADOS



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