
Foi o maior poeta do barroco brasileiro. Desenvolveu uma poesia amorosa e religiosa, mas se destacou por sua poesia satírica, constituindo uma critica a sociedade da época, recebendo o apelido de "Boca do Inferno".
Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador, então capital do Brasil, na Bahia, no dia 23 de dezembro de 1636. Filho de pai português e de mãe brasileira foi criado no meio de uma família rica e influente de senhores de engenho. Foi aluno do Colégio da Companhia de Jesus onde estudou Humanidades.
Ao terminar o curso em 1652, Gregório de Matos seguiu para Portugal. Em 1653 ingressou na Universidade de Coimbra, cursando Direito.
Depois de formado, exerceu o cargo de curador de órfãos e de juiz de Alcácer do Sal, no Alentejo. Nessa época escreveu seus primeiros poemas satíricos. Em 1678 ficou viúvo e recorreu ao arcebispo da Bahia para voltar ao Brasil.
Em 1681, Gregório de Matos estava de volta a Salvador como procurador da cidade, junto à Corte portuguesa. Levava uma vida boêmia e escrevia versos e sátiras gozando de todos, sem poupar as autoridades civis e eclesiásticas da Bahia, recebendo o apedido de “Boca do Inferno”.
Embora não fosse padre, o arcebispo D. Gaspar Barata fez dele vigário-geral da Bahia a fim de ocupar o cargo de tesoureiro-mor da Sé, uma forma de dar maior compostura ao bacharel Gregório, já que sua língua virulenta criava terríveis inimigos.
Com a morte de D. Gaspar, em 1686, e por se negar a receber ordens sacras, e de vestir o hábito, Gregório de Matos perdeu o cargo de tesoureiro-mor e voltou a exercer a advocacia.
Casa-se então com Maria dos Povos, com quem teve um filho. Em 1694, por suas críticas às autoridades da Bahia, acabou sendo deportado para Angola.
Em Angola, Gregório de Matos tornou-se conselheiro do governo, e como recompensa por serviços prestados, obteve autorização para voltar ao Brasil, não mais para a Bahia.
Em 1694 está de volta e vai viver no Recife, Pernambuco, longe das perseguições que lhe moviam na Bahia, embora proibido judicialmente de fazer suas sátiras.
Gregório de Matos morreu no ano seguinte à sua volta ao Brasil, na cidade do Recife, no dia 26 de novembro de 1695. Arrependido e reconciliado com a igreja, na hora da morte compôs:
Soneto a Jesus Cristo
Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
em cuja lei protesto de viver,
em cuja santa lei hei de morrer
Animoso, constante, firme e inteiro.
Neste lance, por ser derradeiro,
pois vejo a minha vida anoitecer,
é, meu Jesus, a hora de se ver
a brandura de um pai, manso cordeiro.
Mui grande é o vosso amor e o meu delito,
porém pode ter fim todo o pecar,
e não o vosso amor, que é infinito.
Essa razão me obriga a confiar,
que, por mais que pequei, neste conflito
espero em vosso amor de me salvar.”
Obras e Características
Gregório de Matos deixou uma obra poética vasta, mas não teve nenhum livro publicado em vida. Suas poesias foram pulicadas em VI volumes, entre 1923 e 1933 com o título: Obras de Gregório de Matos. Em 1970 foi publicado Poemas Escolhidos.
Produção Poética de Gregório de Matos:
Dividida em três linhas:
1ª linha - A Poesia Satírica -
Constitui uma crítica à sociedade baiana. Sua linguagem é livre, espontânea e às vezes agressiva.Da crítica ferina, não escapa ninguém: a corte, clero, colonos, os lusos que vinham para o Brasil e aqui enriqueciam, todos eram ridicularizados, como na poesia:
Sátira aos Sebastianistas
Estamos em noventa, era esperada
De todo o Portugal, e mais conquistas,
Bom ano para tantos Bestianistas,
Melhor para iludir tanta burrada.
Vê-se uma estrela pálida, e barbada,
E deduzem agora astrologistas
A vinda de um rei morto pelas listras,
Que não sendo dos Magos é estrelada.
Oh quem a um Bestianista pergunta,
Com que razão, ou fundamento, espera
Um rei, que em guerra d’África acabara?
E se com Deus me dá, eu lhe dissera:
Se o quis restituir, não o matara,
E se o quis não matar, não o escondera.
2ª linha - A Poesia Lírica Amorosa -
Expressa o idealismo amoroso, revelando uma sensualidade ora grosseira, ora de rara fineza, como no soneto dedicado a Maria dos Povos:
Maria dos Povos
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:
Enquanto com gentil descortesia,
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade
Que o tempo trata a toda ligeireza
e imprime em toda a flor sua pisada.
Ó não aguardes que a madura idade,
Te converta essa beleza, Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
3ª linha - A poesia religiosa -
É sempre a poesia do pecador que se ajoelha diante de Deus, com um forte sentido de culpa, como no soneto:
Soneto a Nosso Senhor
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido,
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Para saber mais:
LEIA O LIVRO POEMAS ESCOLHIDOS, DE GREGÓRIO DE MATOS EM PDF: CLICA AQUI
INDICAÇÕES DE ANÁLISES DO LIVRO:
"POEMAS ESCOLHIDOS", DE GREGÓRIO DE MATOS,
PERÍODO LITERÁRIO: BARROCO