terça-feira, 19 de maio de 2020

O ATENEU

RAUL POMPEIA

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Biografia de Raul Pompéia


Raul d’Ávila Pompeia (1863-1895) foi um escritor brasileiro autor de uma das maiores obras do Realismo brasileiro, “O Ateneu” 1888; é uma narrativa impressionista, na qual as impressões do mundo, da paisagem e do meio são fundidas com as impressões da realidade, por ser uma narrativa de memórias.    Nasceu em Jacuacanga, Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, no dia 12 de abril de 1863. Filho do magistrado Antônio D’Ávila Pompéia e Rosa Teixeira Pompéia, descendentes de tradicionais famílias mineiras.

Em 1873, com 10 anos de idade, mudou-se com a família para a cidade do Rio de Janeiro, onde foi matriculado como interno no Colégio Abílio, dirigido por Dr. Abílio César Borges, Barão de Macaúbas. Nessa escola, redige e ilustra o jornal "O Archote". Em 1879 ingressou no Colégio Pedro II onde concluiu os estudos secundários.

Carreira literária

Em 1880 publicou seu primeiro romance Uma Tragédia no Amazonas. Em 1881, matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo. Participou dos movimentos abolicionistas e republicanos.

Em 1883 publicou As Joias da Coroa, de nítida conotação anti-monarquista. Em 1885, junto com outros colegas, transfere-se para a Faculdade de Direito do Recife, onde fervia os ideais abolicionistas e republicanos e lá termina o curso.

Atividade jornalística

Nesse mesmo ano, começa a escrever na Gazeta de Notícias uma seção de crítica de arte. Desenvolve intensa atividade jornalística a favor da mudança do regime. Em 1890 participou ativamente dos debates políticos dos anos iniciais da República.

Em 1890, assume o cargo de secretário da Academia de Belas Artes e no ano seguinte passa a lecionar na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1892 envolveu-se em acirradas polêmicas. Levava uma vida agitada, com inimizades e crises depressivas. Ofendido por Olavo Bilac desafia-o para um duelo, que não chegou a ocorrer por interferência dos padrinhos.

Em 1894 foi nomeado, pelo Marechal Floriano Peixoto, diretor da Biblioteca Nacional. Em 1895, discursa no funeral de Floriano Peixoto, onde suas palavras são vistas como desacato ao Presidente Prudente de Morais, provocando sua demissão da Biblioteca Nacional.

Morte

Profundamente descontente e amargurado, humilhado pela indiferença com que os jornais tratam seus artigos, vê publicado "Um louco no cemitério". Sem encontrar um jornal que desse espaço para sua resposta, profundamente deprimido, suicida-se com um tiro no coração.

Raul Pompéia morreu no dia 25 de dezembro de 1895, em plena noite de Natal.

Raul Pompéia escreveu crônicas, cantos, poemas e três romances. A maior parte de sua produção literária ficou nos jornais em que colaborou.

Obras de Paul Pompéia

Romance

  • Uma Tragédia no Amazonas (1880)
  • O Ateneu (1888)
  • As Joias da Coroa (1888)

Poesia

  • Canções Sem Metro (1900)


IN:https://www.ebiografia.com/raul_pompeia/

PARA SABER MAIS:

https://www.infoescola.com/biografias/raul-pompeia/

https://www.portaldovestibulando.com/2017/07/o-ateneu-cronica-de-saudades-analise-da.html


O Ateneu (Livre)

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O ATENEU:

Obra de Raul Pompéia publicada em 1888, O Ateneu narra o percurso de Sérgio pelo colégio interno Ateneu, localizado no bairro Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Antes de entrar para o internato, Sérgio já havia passado por um externato e por um professor particular. Porém, a sua experiência de ingressar no colégio é um marco do fim de sua infância e início de sua maturidade, deixando para trás a proteção materna em busca de uma educação moral. Era esse um objetivo, se não o maior, do colégio dirigido pelo pedagogo Sr. Aristarco.

Antes do ingresso, Sérgio e seu pai foram visitar o diretor. Ao chegar lá, conheceram também D. Ema que pediu para Sérgio cortar os cabelos, como despedida dos laços maternos. Pois, apesar do colégio de ser a extensão do lar, ele tem por objetivo a educação moral e disciplinada dos alunos. Ao ingressar na sala, o narrador descreve a primeira impressão dos alunos. Orientado pelo professor, Sérgio senta-se ao lado do bom aluno Rebelo, com quem teve seu primeiro contato. Ao ser apresentado a sua turma à frente pelo professor, Sérgio acaba sofrendo um desmaio. Ele passa a caminhar pelo pátio e fazer observações sobre alunos, sobre o espaço físico, sobre a disciplina do colégio. Durante uma aula de natação, Sérgio acaba se afogando e Sanches o salva. Começa a partir de então uma amizade entre os dois. Sérgio busca um protetor para si. Como bom aluno que era o Sanches, Sérgio passa a fazer suas lições com ele. Porém, um envolvimento mais íntimo é percebido pelo Sérgio, e os dois brigam. Sérgio começa então a tirar notas baixas e o diretor expõe esse resultado a todos.

Após a briga, Sérgio anda um tempo sozinho e acabou por se tornar amigo de Franco, que era sempre castigado. Por vingança, Franco resolve jogar lascas de vidros na piscina, e Sérgio observa tudo. Com remorso, vai para a capela rezar. Não acontece nada com os alunos, mas Sérgio acaba sendo castigado por ter dito que estava colhendo no jardim de noite, na hora em que Franco jogou as lascas. O diretor chama então Franco e Sérgio de peraltas na frente de todos.

Sérgio aproxima-se então de Barreto, um amigo beato, e conversa sobre Deus e o temor a ele. Influenciado por Barreto, Sérgio reza, faz jejum, mas mesmo assim tira nota baixa. Revolta-se contra Deus. Após o afastamento de Barreto, decide seguir sozinho e almeja o cargo de vigilante, pois assim não precisaria da ajuda de Deus ou de amigo algum. Nesse momento, um jardineiro do Ateneu mata outro funcionário por uma briga em razão de Ângela. Bento Alves imobiliza o assassino no momento de fuga. Os dois tornam-se amigos íntimos e inseparáveis; leem juntos poesias, livros, histórias. Chegam as férias e Bento vai visitar Sérgio em sua casa. Após a volta às aulas, os dois brigam, sem motivo algum. Porém, no calor da briga, Sérgio acaba por agredir também o diretor. Bento sai do Ateneu.

Sérgio conhece então Egbert, intitulado pelo narrador como seu único amigo verdadeiro, uma vez que era uma amizade sem interesses, apenas alicerçada em admirações sinceras. Egbert sempre tirava boas notas, e por essa razão foi convidado junto com Sérgio para um jantar na casa de Aristarco. Nesse jantar, D. Ema estava lá e Sérgio recebeu muitas carícias dela, reafirmando um amor platônico. Após esse acontecimento, ele sente-se homem e resolve se afastar de Egbert. Paralelamente, Franco morre de uma doença misteriosa, ocasionada por maus tratos no colégio.

Há então na escola uma solenidade onde o Aristarco recebe um busto em cobre. Dividido entre o orgulho e uma competição com o busto, Aristarco o recebe orgulhosamente. Porém, no desfecho do livro, acontece um incêndio, provavelmente provocado por Américo e a escola tem o seu fim. Sérgio fica na casa do diretor recebendo carinhos de D. Ema.


IMPORTÂNCIA DO LIVRO:

Apesar de muitos estudiosos questionarem, a obra atualmente é enquadrada no movimento do Realismo, e é uma das obras mais importantes desse movimento, se destacando pelas suas singularidades, dentre elas, a presença de um narrador que possui emoções guardadas e a expressa através de uma descrição memorialista.

PERÍODO HISTÓRICO:

O século XIX foi marcado pela falsa estruturação do sistema educacional brasileiro, principalmente dos colégios internos frequentados pelos filhos da elite. Internatos onde a educação era impregnada de modelos severos e regimes autoritários, onde a educação moral rígida era vista como objetivo final da escola.

ANÁLISE:

O narrador da obra O Ateneu é um narrador adulto que , sendo personagem enquanto criança, passou dois anos de sua infância no internato. Aproximando-se da história pessoal de vida do seu autor, Raul Pompéia, podemos afirmar que essa obra possui traços de pessoalidade do autor e de identificação. Ao narrar os fatos passados enquanto adulto, o narrador é emotivo e através de sua memória, expressa percepções e análises sobre os personagens de sua ruim estadia no internato. Há um distanciamento de idade, onde os sentimentos do adulto muitas vezes se confundem com as inseguranças da criança, porém há valores e críticas à sociedade que são provenientes às percepções de um adulto. A descrição que acompanha o narrador é uma descrição permeada de críticas à sociedade, ao modelo de internatos existentes no século XIX.

O livro não possui um enredo preenchido por acontecimentos inusitados, intrigas, ações, romances como é de se esperar das obras que conhecemos. Pode-se até afirmar que ele não possui enredo. O que acontece no livro são análises acerca dos alunos e da escola, críticas e impressões que são detalhadas no livro com características até mesmo científicas, ou psicológicas. Sendo assim, apesar de ser enquadrada no movimento de Realismo – Naturalismo, o livro possui traços do expressionismo, impressionismo, simbolismo, dentre outros. Diferente das obras pertencentes ao Realismo, O Ateneu não possui uma objetividade e uma imparcialidade. Até mesmo porque sendo o narrador também personagem, isso não seria possível. Como uma característica do Naturalismo, também há no livro um instinto para a homossexualidade, em que Sérgio nas suas relações de amizades com seus amigos meninos, descreve-os com uma relação íntima e uma intenção amorosa.

O livro possui como subtítulo a irônica frase “Crônicas de saudades”. Além do livro não ser composto por crônicas, o narrador demonstra ter recordações ruins, de raiva e vingança, bem longe do sentimento de saudade. Através dos castigos narrados, dos maus tratos, da hipocrisia, o narrador faz uma crítica à sociedade que, como no Ateneu, vence sempre o mais forte e os fracos procuram protetores. Porém, não os encontrando, acabam por sofrer com as injustiças do sistema.


PERSONAGENS:

Sérgio: personagem principal. Entra aos 11 anos no internato Ateneu e ali tem várias experiências que são narradas no livro.

Aristarco: diretor do colégio e pedagogo reconhecido por suas obras. Ao mesmo tempo em que é rígido, possui uma alma paternal.

D. Ema: esposa de Aristarco. Sérgio nutre um amor platônico por ela.

Professor Mânlio: Primeiro professor de Sérgio.

Rebelo: primeiro amigo de Sérgio. É bondoso e um ótimo aluno. Ajudou Sérgio nas lições.

Sanches: à primeira vista, é considerado antipático por Sérgio, salva ele de um afogamento e os dois tornam-se amigos.

Barbalho: aluno indisciplinado com quem Sérgio tem uma briga.

Ribas: menino feio, que cantava músicas religiosas singelamente.

Ângela: funcionária espanhola do colégio. Moça bonita desejada por todos.

Egbert: considerado o único amigo verdadeiro de Sérgio, que o admirava pela sua beleza.

Bento Alves: bibliotecário com quem Sérgio teve uma íntima amizade. Sai do colégio por uma briga que teve com o Sérgio.

Américo: aluno que entra no colégio obrigado pelo pai e que provavelmente é o responsável pelo início do incêndio.

IN: http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/o-ateneu.html


AUDIOLIVRO:


COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA:








SUGESTÃO DE ALGUNS ENDEREÇOS DE QUESTÕES PARA VESTIBULARES SOBRE O LIVRO:













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